Identificar e corrigir erros comuns na prestação de contas de ONGs é a chave para a sobrevivência das instituições do terceiro setor.
Com a chegada de 2026, o cenário fiscal brasileiro passa por uma transformação histórica devido ao início da fase de testes da reforma tributária. Nesse contexto, a transparência deixou de ser um diferencial e se tornou um pré-requisito absoluto para manter a imunidade tributária e conquistar a confiança de doadores cada vez mais exigentes.
Infelizmente, muitas organizações ainda cometem deslizes básicos que podem resultar na rejeição de contas por tribunais ou financiadores.
Abaixo, listamos as 5 armadilhas mais perigosas para sua gestão e como você pode proteger sua entidade agora mesmo.
1. Ignorar as normas da ITG 2002 (R1)
Um dos erros mais técnicos e frequentes é não seguir a Interpretação Técnica Geral (ITG) 2002 (R1), que regula a contabilidade do terceiro setor. Diferente das empresas comerciais, as ONGs precisam registrar fatos contábeis específicos, como o trabalho voluntário e as gratuidades.
Pela norma, o serviço voluntário deve ser contabilizado pelo valor justo, figurando como uma despesa e, simultaneamente, como uma receita de gratuidade. Ignorar esse registro distorce o balanço e omite o real impacto social que a organização gera.
Além disso, é vital reconhecer a depreciação dos bens. Móveis, veículos e computadores perdem valor com o tempo, e isso precisa estar refletido nas demonstrações contábeis para garantir a fidedignidade do patrimônio.
2. Misturar recursos pessoais com os da entidade
A mistura patrimonial fere o Princípio da Entidade e é um dos erros comuns na prestação de contas de ONGs que mais gera problemas com a Receita Federal. Isso ocorre quando dirigentes pagam contas da ONG com cartão pessoal ou usam o caixa da instituição para despesas particulares.
Essa prática inviabiliza a rastreabilidade dos recursos e pode ser interpretada como desvio de finalidade ou fraude em uma auditoria. A regra é clara: a ONG deve ter contas bancárias exclusivas e todas as movimentações devem passar por elas.
Para reembolsos, crie processos administrativos rigorosos, com formulários de prestação de contas e comprovantes fiscais anexados, garantindo que a saída de recurso seja justificada e auditável.
3. Documentação errada
Em 2026, a atenção com a documentação fiscal deve ser redobrada. Com o início da transição tributária em 1º de janeiro, documentos fiscais eletrônicos (como a NF-e e a NFS-e) passam a ter novos campos para destacar a CBS e o IBS, mesmo que em caráter de teste.
Aceitar ‘recibos simples’ ou notas fiscais preenchidas incorretamente por prestadores de serviço é um risco enorme. Para a prestação de contas ser válida, a despesa deve ser comprovada por documento fiscal idôneo, emitido contra o CNPJ da entidade, descrevendo detalhadamente o serviço ou produto.
A organização deve garantir que seus fornecedores também estejam adaptados às novas exigências de emissão de notas, evitando problemas na validação dos créditos e das despesas perante o fisco.
4. Desvio de finalidade em recursos de convênios (MROSC)
Para ONGs que operam com verbas públicas via Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, o rigor deve ser absoluto. Um erro clássico é utilizar o recurso de um projeto específico para cobrir custos de outro projeto ou despesas administrativas não previstas.
O Plano de Trabalho aprovado é a lei do convênio. Qualquer alteração no uso dos recursos, sem prévia autorização do órgão público, pode levar à reprovação das contas e à obrigação de devolver o dinheiro com correção monetária.
Mantenha os recursos de cada parceria em contas bancárias específicas e realize os gastos estritamente dentro do cronograma e das rubricas aprovadas, monitorando o alcance das metas físicas e financeiras.
5. Negligenciar a conciliação bancária e o fluxo de caixa
Operar sem controles financeiros diários é como dirigir de olhos vendados. A falta de conciliação bancária periódica impede a identificação de erros de lançamento, taxas indevidas ou cheques não compensados.
A conciliação deve ser feita regularmente, confrontando o extrato bancário com o controle interno da ONG. Isso garante que o saldo contábil seja real e previne surpresas no final do mês.
Aliado a isso, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é essencial para entender a liquidez da entidade. Sem ela, a gestão não consegue prever se terá recursos para honrar compromissos futuros, comprometendo a sustentabilidade da organização.
Prepare sua ONG para o futuro!
Evitar os erros comuns na prestação de contas de ONGs não é apenas uma questão burocrática, é uma estratégia de sobrevivência. Em 2026, a profissionalização da gestão contábil é o que diferenciará as organizações que crescem daquelas que fecham as portas.
Manter a contabilidade em dia, com processos transparentes e alinhados às novas regras tributárias, fortalece sua reputação e abre portas para novos financiadores.
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