Ícone do site gestao terceiro setor

Segregação de contas no terceiro setor: Guia completo de conformidade e gestão

A segregação de contas no terceiro setor não é apenas uma boa prática administrativa; é uma exigência compulsória que garante a sobrevivência e a idoneidade das organizações.

Assegurar que os recursos financeiros de cada projeto sejam devidamente apartados evita a mistura de fundos (confusão patrimonial), facilita a prestação de contas e atende plenamente às rigorosas exigências dos órgãos de controle.

Entenda o conceito de segregação de contas

A segregação de contas no terceiro setor refere-se à obrigação legal e contábil de tratar separadamente cada receita e despesa vinculada a projetos, convênios, parcerias ou atividades específicas de uma Organização da Sociedade Civil (OSC).

Normas como a ITG 2002 (R1) exigem essa distinção clara. Para ONGs e demais entidades, esse rigor protege a transparência e a rastreabilidade do dinheiro, ponto crítico quando se trata de verbas públicas ou incentivos fiscais.

Consolidar recursos em um ‘caixa único’ sem a devida identificação por centro de custos é uma prática vedada e de alto risco.

A padronização desses processos e a análise consistente de dados financeiros tornam as decisões da diretoria mais seguras, evitando retrabalho e questionamentos futuros.

Por que a separação de recursos é essencial?

A gestão apartada de recursos por atividade ou termo de fomento é mandatória. Misturar fundos de finalidades distintas viola princípios básicos da contabilidade e da legislação vigente. Cada valor deve ser aplicado estritamente conforme sua destinação e as regras do contrato ou edital que o originou.

Identificar a origem e a aplicação exata dos recursos impede penalidades severas e a responsabilização solidária dos gestores (que podem responder com o patrimônio pessoal). Esse cuidado viabiliza a emissão de relatórios precisos para financiadores, conselhos fiscais e para a Receita Federal.

Além da conformidade, metas claras e indicadores segregados ajudam a priorizar ações, controlar custos operacionais e manter a previsibilidade financeira da instituição.

Obrigações legais e normas vigentes

O cenário regulatório atual é rigoroso. A ITG 2002, aprovada pelo Conselho Federal de Contabilidade, impede o registro genérico de receitas. Toda movimentação deve ser demonstrada de modo individualizado.

Além das normas contábeis, é fundamental observar a Lei 13.019/2014 (MROSC – Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil).

Esta lei trouxe a exigência explícita de que os recursos recebidos de parcerias públicas sejam geridos em conta bancária específica e isenta de tarifas, movimentada exclusivamente por meios eletrônicos que permitam a identificação dos beneficiários finais.

O descumprimento dessas normas, incluindo instruções da Receita Federal e decretos correlatos, gera sanções administrativas, glosas de despesas e riscos fiscais.

Riscos de não realizar a segregação de contas

A falha na segregação de contas no terceiro setor inviabiliza a comprovação da boa aplicação dos recursos. Isso deixa a organização vulnerável a:

  1. Autuações e Multas: Por parte do fisco e órgãos de controle.
  2. Perda de Certificações: Como o CEBAS, essencial para imunidades tributárias.
  3. Devolução de Verbas: Obrigação de devolver dinheiro público corrigido, caso não se prove o nexo causal da despesa.
  4. Responsabilidade Civil: Administradores podem responder por má gestão ou desvios, sofrendo bloqueio de bens e restrições em cadastros oficiais.
  5. Dano à Reputação: Apontamentos em auditorias externas e denúncias ao Ministério Público minam a credibilidade da ONG.

Como implementar a gestão segregada

Para garantir a conformidade, a implementação deve ocorrer em duas frentes principais: Contábil e Administrativa.

Normas contábeis e plano de contas

De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade, a entidade deve estruturar seu Plano de Contas de forma a permitir a criação de Centros de Custos para cada projeto. Isso garante registros individualizados de receitas, despesas e saldos, segregando contabilmente o que pertence ao Projeto A, ao Projeto B e à administração central.

Controles e práticas administrativas

É recomendável, e muitas vezes obrigatório (no caso de verbas públicas), a abertura de contas bancárias exclusivas para cada projeto.

Isso facilita a conciliação bancária e garante que o extrato do banco seja um espelho fiel da execução do projeto.

Nunca se deve utilizar o saldo de um projeto para cobrir, mesmo que temporariamente, o ‘buraco’ de outro (a prática conhecida como ‘pedalada’ interna), pois isso fere o princípio da segregação.

Ferramentas para facilitar o controle

A tecnologia é a maior aliada na segregação de contas no terceiro setor. O uso de planilhas manuais é desaconselhado devido ao alto risco de erro humano.

  1. Softwares de Gestão (ERP): Utilize sistemas financeiros homologados ou especializados no terceiro setor, que permitam o bloqueio de pagamentos sem saldo no centro de custo específico.
  2. Automação Bancária: Plataformas que integram o extrato bancário diretamente à contabilidade agilizam a conciliação e garantem que nenhum centavo fique sem classificação.
  3. Gestão de Documentos: A digitalização e organização de comprovantes fiscais por projeto, em nuvem, facilitam auditorias e fiscalizações a qualquer tempo.

Benefícios de uma gestão financeira organizada

  1. Transparência Absoluta: Facilita a captação de novos recursos, pois doadores confiam em organizações organizadas.
  2. Segurança Jurídica: Aprovação de contas com ressalvas mínimas ou inexistentes.
  3. Proteção ao Gestor: Redução drástica de riscos pessoais para a diretoria.
  4. Eficiência Operacional: Controle efetivo do fluxo de caixa e prevenção de fraudes internas.

Passos práticos para regularizar sua entidade

  1. Revise o Plano de Contas junto à sua contabilidade para criar centros de custos para cada projeto vigente.
  2. Adote o princípio de uma conta bancária por projeto financiado, sempre que possível ou exigido.
  3. Implemente um sistema de gestão que integre financeiro e contábil, eliminando retrabalho.
  4. Capacite a equipe sobre a proibição de misturar recursos e a importância da classificação correta das despesas.
  5. Realize auditorias internas preventivas para identificar falhas antes da prestação de contas final.

Sua organização está protegida?

A complexidade das leis e normas contábeis exige acompanhamento especializado. Não coloque o propósito da sua causa em risco por falhas na gestão financeira.

A Gestão Terceiro Setor é especialista na implantação de controles rigorosos e na correta segregação de contas no terceiro setor, garantindo tranquilidade para você focar no impacto social.

Entre em contato agora com nossos especialistas e descubra como podemos elevar o nível de profissionalismo e segurança da sua gestão.

FALE COM NOSSOS ESPECIALISTAS!

Classifique nosso post post
Sair da versão mobile